Vê Legentil

sexta-feira, 13 de julho de 2018


sexta-feira, 8 de junho de 2018

Bora falar de quê?


Então...vamos falar de que? Bora falar de........
Faz 15 dias mais ou menos fui para São Paulo a trabalho. Para palestrar na empresa sobre Inclusão de Pessoas com Deficiência no mercado de trabalho.
Nada diferente do que já faço. Porém a minha narrativa desta vez não será sobre o meu trabalho, mas sim, sobre um episódio ocorrido em meu retorno ao Rio.
Mas para que vocês possam entender, vou contar como tudo começou...
“Como eu digo sempre, para cair basta estar em pé”, para mim isso é a coisa mais fácil que existe, cair.
Levei um tombo em casa no dia 14 de maio, não tropecei, não escorreguei, simplesmente cai em cima do meu pé de apoio (pé esquerdo), o outro pé é o que eu uso o aparelho ortopédico. Resumindo fiquei uma semana com o pé imobilizado. Retornei ao médico e retirei a tala, tudo ok!
Fui viajar, cheguei na terra da garoa fazia 8 graus (para mim é o mesmo que dizer que está nevando....rsrsrs). Não sei se por causa do frio o pé começou a doer novamente, mas deu para trabalhar tranquila, não forcei durante o trabalho. Na empresa eu utilizava a cadeira de rodas que fica disponível para atendimentos de emergência, para minha locomoção até a sala onde apliquei as palestras. E assim foi durante todos os dias em que trabalhei em Sampa.
Ah não posso deixar de mencionar que foi uma semana intensa por si só, pois foi exatamente no período da paralisação dos caminhoneiros. Passei por eles, pois uma de minhas palestras foi em Santos. Mas estava bem tranquilo na estrada. A apreensão ficava por conta do diesel, se teria ou não combustível para abastecer os aviões para retornar para casa.
No hotel era bilhete deixado pela direção por debaixo da porta no quarto, alertando os hóspedes sobre possível falta de algum item na alimentação por falta de entrega das mercadorias, presas por causa do bloqueio. No e-mail corporativo, mensagem orientando a consultar a companhia aérea para verificar se o voo estava confirmado. Foi bem tenso, ou como costumo dizer “foi puxado”!
Pois bem, chegou a hora de voltar para casa, consegui chegar ao aeroporto, voo confirmado, faço meu Check-in e solicito a cadeira de rodas da companhia, pois meu pé estava inchado, porém, mesmo que não estivesse com o pé machucado pediria de qualquer forma a cadeira. Nossos aeroportos costumam ser gigantescos, não dá para percorrer essas distâncias tranquilamente, sem me cansar.
Despachei minha bagagem e aguardei o funcionário da companhia para me levar até a aeronave.... (Não posso esquecer de mencionar que durante o Check-in a menina do balcão da companhia me perguntou se eu podia subir escadas), falei com ela que meu pé estava machucado e que não poderia. Pois bem, o rapazinho que me acompanharia até o meu embarque apareceu, fomos conversando durante o percurso, passamos pela inspeção, que aliás não entendo, na ida à SP não precisei tirar os sapatos, mas já na volta tive que tirá-los. A padronização do serviço nos aeroportos me encanta! Para descontrair perguntei se nem a poeira de SP eu poderia levar para o Rio, os funcionários deram um sorriso meio sem graça, e segui meu caminho.
O primeiro funcionário que me acompanhava me deixou em um outro balcão da companhia e informou aos seus colegas que eu não poderia subir escadas. Ouvi quando ele deu essa informação.
O segundo funcionário me encaminhou até o portão de embarque, este me perguntou se eu podia subir escadas...Sim o embarque era remoto, lá na pista. Eu então, respondi que não podia.
Um terceiro funcionário me levou da van até o avião, onde mais uma vez, me perguntaram se eu podia subir escadas. Respondi que não.
Fui a primeira passageira a chegar até a aeronave, mas quase não fui a primeira a entrar. Fiquei com mais dois funcionários aguardando. Siiimmmmmm......enfim eu soube que dispunham daquela cadeira que sobe escadas, sabe! Conhecem? A cadeira de transbordo. No final do texto incluí uma foto dela para aqueles que nunca viram.
O que não entendi na história era que se tinham a cadeira por que a relutância em usá-la? Outra opção seria a utilizar um “Ambulift” um veículo acessível com uma espécie de cabine que se “acopla” à porta da aeronave e permite a transferência do passageiro (aliás seria a melhor opção, por questão de segurança do passageiro)..
Tenho dificuldade as vezes para entender determinados tipos de atitudes!
Pagamos passagem como qualquer outra pessoa, não é “passe livre” e ainda que fosse não justificaria esse tipo de situação, mas o que eu quero ressaltar é que, não é favor que estão nos fazendo, é um direito nosso.
As pessoas precisam se colocar no lugar do outro. Cadê a empatia? Alguém a viu por ai! Ela anda um pouco sumida, mas ela existe, e as vezes felizmente encontro com ela por ai!
O que eu tiro dessa semana de experiências profundas?
1º - O trabalho dignifica o homem, apesar das dificuldades encontradas, trabalhar é muito bom, principalmente se for no que gosta;
2º - Novas amizades deixam a vida mais colorida;
3º - Não reclame tanto da vida, coisas boas acontecem;
4º No desembarque no Rio, encontrei o time titular do Flamengo!!!!!! Pena não poder tirar foto, celular dentro da mochila desligado.
Obs.: Segue o líder!!! rsrsrs

É isso pessoal! Desculpem o textão desta vez.  Comecei a escrever e quando percebi.... Mas ele tem informações importantes, sobre acessibilidade nos aeroportos, embarque! 

Bjs!!!!! 
E tudo começou aqui...


Ambulift

Exemplo de como é um "Ambulift" por dentro

Exemplo de Cadeira de Transbordo


terça-feira, 15 de maio de 2018

Homenagem à minha mãe


Olá....hoje minha postagem é em homenagem ao dia das mães...Ok, estou atrasada se considerar a data estabelecida para a comemoração desse dia especial, porém, quero aproveitar a deixa para falar para a minha mãe e para todas as mães que tem filhos com deficiência e tiveram que abrir mão de suas vidas, de seus objetivos algumas vezes, para que seus filhos tivessem a oportunidade de receber tratamento.
Como já contei em outras postagens, tive poliomielite aos 5 meses de nascida. E no mesmo dia que foi detectado o vírus, fui internada no Hospital Jesus, em Vila Isabel/RJ. Um hospital Infantil do município do Rio. E desde então minha mãe se desdobrava para que eu tivesse um tratamento adequado.
Após um período de internação, minha mãe me levava ao hospital praticamente a semana inteira para fazer massagem nas pernas, fisioterapia para que os membros inferiores não ficassem atrofiados. E quem conhece o hospital Jesus sabe que ele fica em uma ladeira, e após subir esta ladeira, ainda tinha uma escadaria para subir, já que na época o prédio não dispunha de elevadores. Ela saía de Niterói, e íamos de ônibus para meu tratamento. E além do tratamento ainda tinha as cirurgias, foram 4 no total, meses internada, e visitas da minha mãe TODOS dias até o dia de receber alta hospital. E quando eu estava em casa resguardando o período de recuperação pela cirurgia e com gesso até a cintura, minha mãe cuidava de mim com o maior zelo, com muito amor e dedicação. O gesso só era retirado depois de 3 a 4 meses de operada, e assim vinha a fase da fisioterapia, vivemos esta rotina até eu completar meus 18 anos. Quando a partir de então, comecei a ir às consultas médicas sozinha.
Já aprontei algumas com ela (minha mãe), certa vez, nas férias escolares fomos viajar para a casa de meus avós maternos no interior do estado do Espírito Santo, juntamente com minhas outras irmãs e sobrinhas. Criança sozinha é inofensiva, mas em bando pode causar estragos..rsrsrs!!! Pois bem, um dia brincávamos em “bando” dentro do tanque de lavar roupas, esbanjando água, fazendo a maior bagunça, e quando um adulto (não lembro quem) viu o que estávamos aprontando, correu em nossa direção para nos repreender, foi então que todos saíram correndo, cada um para um lado, foi um “salve-se quem puder”..rsrsrsrs!!! Euuuuuuuuuuu simplesmente abstrai da minha mente que não podia correr, e num ato sem pensar pulei do tanque também....conclusão: cai no chão, e com a queda acabei por cair em cima da perna tinha operado a pouco meses. Consequência? A perna inchou acabei com as férias de todo mundo, pois tivemos que voltar ao Rio para ir ao meu médico. O resultado? Tive que me internar novamente para refazer a cirurgia, que com a queda que tive acabou por romper algo dentro da perna, nessa época deveria ter uns 7 anos de idade. E mais uma vez tivemos nossa rotina de “visitas” ao hospital fortalecida!!!
Certa vez enquanto minha mãe estava trabalhando eu e minha irmã decidimos cortar o cabelo uma da outra, e em outra ocasião tivemos a brilhante ideia de cortar as correias do meu aparelho ortopédico (caríssimooooooooo)!!!! Claro que nossa mãe não gostou nenhum pouco dessas novidades ao chegar em casa!!!!
Cresci (senão em estatura, em idade...rsrsrs), estudei, me graduei, me especializei, tive muitas conquistas em minha vida, graças a Deus em primeiro lugar e a minha mãe que NUNCA desistiu de mim, de me oferecer a oportunidade de receber tratamento adequado, de se esforçar para que eu pudesse estudar e isso tudo enquanto também cuidava de uma de minhas irmãs que durante a infância (nossa idade difere pouco mais de 1 ano) teve um problema sério no ouvido e requeria tratamento médico especial.
Faça chuva ou faça sol, mãe é mãe! Mãe é mãe todos dias.
Hoje quem precisa de cuidados é ela que está com 80 anos. E dá um trabalhinho, viu!!rsrsrs!!! Hoje sou eu quem briga com ela, quem diz para não fazer isso ou aquilo! Reconheço que é preciso muuiiitaaaaaaaaa paciência, bem mais do que tenho, mas tenho me esforçado cada dia par ser mais paciente, pois se hoje sou quem sou e tenho o que tenho, é graças a ela!
Então é isso! Fica aqui minha homenagem à todas as mães dedicadas, amorosas que mesmo com suas limitações, se desdobram para trabalhar fora, cuidar da casa, cuidar dos filhos (educar)! 
E principalmente às mães de filhos que tem deficiência!


 
Minha mãe!



Hospital Municipal Jesus - Vila Isabel/RJ