Vê Legentil

quarta-feira, 7 de março de 2018

Barreira Atitudinal - O que mais ela envolve?!


Inclusão o que é?

Como é do conhecimento de vocês trabalho com inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho faz alguns anos. E mesmo com alguma experiência no meio corporativo sobre este tema, ainda me causa algum espanto o fato de que, falar em inclusão remete ao outro pensar em barreiras arquitetônicas como questão prioritária, quando na verdade isso deveria ser secundário, ou consequência da quebra do pior tipo de barreira a ser eliminada, a barreira atitudinal. Esta sim, constitui-se um dos grandes impeditivos para que a inclusão da PcD aconteça no mercado de trabalho.
Posso elencar aqui alguns pontos da barreira atitudinal que causa impacto na inclusão da pessoa com deficiência:
1-   A infantilização da pessoa com deficiência – Ainda é comum pessoas sem deficiência dar um tratamento diferenciado a PcD, com excessos de “meiguices”, superproteção tentando sempre “ajudar” aquela pessoa, pois ela não tem como fazer determinada “coisa” sozinha, afinal ela é como uma criança, precisa sim de ajuda! (Eis o que pensam).E consequente a isso, dirigem-se a PcD com linguagens infantis, alteração de voz, concluindo que, se agir desta forma a pessoa com deficiência entenderá melhor o que está sendo dito.
2-   A crença que pessoas com deficiência não podem exercer atividades laborais mais complexas – Foi interessante notar fazendo uma busca em sites de empregos que ofertam vagas para PcD, que a maioria delas está direcionada ao setor operacional, são vagas para recepção, Op.de caixa, repositor de supermercado, auxiliar de serviços gerais, balconista, ajudante de pedreiro, servente etc. A cada 20 vagas ofertadas, 1(uma) contêm nas descrições atividades mais elaboradas.  Ainda existe uma crença que pessoas com deficiência, independente do tipo de deficiência, são incapazes, ou limitados para exercer atividades que requeiram um raciocínio lógico, interpretações de textos, cálculos, relatórios etc. Saliento, que o problema não está nessas vagas, mas a quem ela é ofertada.
3-   Alguns tipos de deficiência são excluídos do mercado de trabalho – Autistas, pessoas com deficiência intelectual costumam ser as mais excluídas do mercado de trabalho. De acordo com o Censo 2010, 2,6 milhões de pessoas no Brasil possuem deficiência intelectual, apesar deste número elevado, apenas 2,41% são PcD intelectuais dos 400 mil PcD’s que trabalham no mercado de trabalho formal. Neste ponto o problema se concentra na falta de informação, no preconceito, na falta de preparo dos recrutadores em abordar este segmento de PcD, na resistência das áreas em receber pessoas com deficiência intelectual, julgando como incapacitante a deficiência da pessoa.

Poderia ficar aqui por horas, falando sobre barreiras atitudinais que tão perto rodeia as pessoas com deficiência. O que quero ressaltar, entretanto, é que a barreira arquitetônica pode ser mais fácil de se solucionar, pois quebra-se e se constrói algo acessível, mas a barreira atitudinal, envolve disponibilidade, mudança de atitude, empatia, dar crédito ao outro, respeito ao próximo. A força da letra da lei de Cotas ajuda, mas a inclusão ainda está distante do ideal.
É preciso que haja investimento em pessoas, nos profissionais de RH que recrutam e selecionam candidatos PcDs, nos gestores que apresentam forte resistência em ter em suas equipes alguém com deficiência, baseado muitas vezes em “achismos” – eu acho que ele não consegue, eu acho que terei problemas, eu acho que ele não vai acompanhar o ritmo etc.
De acordo com dados de pesquisa realizada pela Catho, 93% dos gestores das empresas necessitam se informar melhor para gerenciar e entrevistar uma pessoa com deficiência (PCD) e que 65% desses gestores possuem grande resistência em entrevistar ou contratar profissionais com esse perfil.
Gestores apresentam resistência em ter PcDs em suas equipes, mais uma vez, por falta de conhecimento, de convívio com a pessoa com deficiência.
O que tenho percebido ao longo dos anos é que, os problemas que os líderes apontam para rejeitar uma PcD em sua equipe, são os mesmos problemas que enfrentam com seus funcionários não PcDs. Porém, é como se, somente a pessoa com deficiência apresentasse tais falhas.
É preciso investir em educação corporativa no tange a sensibilização para que a inclusão da pessoa com deficiência aconteça no mercado de trabalho.
A Lei de Cotas é vista como objetivo, quando na verdade ela deveria ser uma consequência.

Censo 2010.

Bjs...e até a próxima postagem!










sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Hora de desmistificar



Adquiri minha deficiência aos 5 meses de nascida, e desde que me entendo como gente, e olha que faz tempo, ouço algumas questões a respeito  do BPC – Benefício de Prestação Continuada, referente ao valor de UM salário mínimo concedido à idosos e PcD – Pessoas com deficiência pelo governo federal.
A população em geral, por falta de informação, de conhecimento, acredita que basta ser PcD para ter direito a este benefício, e que, TODA pessoa com deficiência trabalhando ou não de carteira assinada, recebe tal recurso. E alguns ainda acreditam ser um valor exorbitante, bem, tendo em vista o exposto acima, vamos esclarecer alguns pontos:
Existem regras para que a PcD receba o benefício:
É necessário que a renda por pessoa do grupo familiar seja menor que 1/4 do salário-mínimo vigente;

OBS.: O BPC não pode ser acumulado com outro benefício no âmbito da Seguridade Social (como, aposentadorias e pensão) ou de outro regime, exceto com benefícios da assistência médicapensões especiais de natureza indenizatória e remuneração advinda de contrato de aprendizagem.

Trabalho da pessoa com deficiência: a pessoa com deficiência que retornar a trabalhar terá seu benefício suspenso.

Esclarecendo: Antes do “Programa Viver sem Limites” do governo federal, instituído no governo do PT, as pessoas com deficiência que recebiam o BPC e entravam no mercado de trabalho (carteira assinada) tinham seu benefício cancelado, e caso não se adaptassem ao ambiente de trabalho ou fossem demitidas, tinham que, dar entrada no INSS, como se nunca houvesse recebido tal recurso do governo, tendo que providenciar laudos médicos, exames que comprovassem sua deficiência e ainda aguardar a data da perícia médica, ficando assim em uma espécie de limbo, sem salário e sem o BPC. Por isso muitos tinham dificuldades em abrir mão do valor que recebiam da Previdência Social.
Hoje, existe o “BPC Trabalho”, para aquelas PcD’s que decidem trabalhar de carteira assinada. Elas podem ter o benefício “suspenso” e não mais cancelado, de tal forma que, quando demitidas, podem solicitar o retorno ao recebimento do BPC, sem precisar ser avaliado, comprovando sua deficiência. Todavia, levando em consideração a “grande credibilidade” de nossos governantes e da “eficiência” dos serviços públicos, permanece na população PcD, o receio em abrir mão do BPC, e correr o risco de novamente ficar sem recursos financeiros para se manter, seja da antiga empresa em que trabalhou ou da Previdência Social, por sua morosidade.

Se na mesma família houver duas pessoas com deficiência, somente uma terá direito ao benefício.

Obs.: Em 2010 foi criado um projeto de lei, onde permitia que duas PcD’s na mesma família recebessem o benefício, porém, tal proposta foi reprovada pela câmara sob a alegação que tal repasse causaria prejuízo aos cofres públicos.

Então para resumir:
*não acumulamos o salário recebido da empresa a qual estamos vinculados e o BPC;
*Em uma mesma família com duas ou mais PcD’s só uma delas terá direito ao benefício;
*É necessário que a renda por pessoa do grupo familiar seja menor que 1/4 do salário-mínimo vigente.
Sei que a maioria entende as dificuldades que uma pessoa com deficiência possui com relação a ingressar no mercado de trabalho, em adquirir equipamentos decentes para sua locomoção e autonomia (esses equipamentos são caros, ultrapassam com grande facilidade o valor do BPC), então peço, que não julguem aqueles que não estão dispostos ou não podem abrir mão do BPC, chamando-os algumas vezes de preguiçosos. Grande parte dessas pessoas não tem meios próprios de sair de casa, não dispõem de transporte público de qualidade/acessível, vias públicas acessíveis que lhes permitam chegar ao então local de trabalho, sem contar a barreira atitudinal tão presente nos colegas de trabalho, empresários, gestores.
Uma minoria correrá o risco de se aventurar, de buscar conhecimento, independência. São pessoas que apesar de todas as dificuldades, que não são poucas, virão para esta selva, buscar sua sobrevivência, a despeito de tudo que sofrerão. Mas, como eu disse, será uma minoria. E não julgue os demais por agir diferente.
Você abriria mão?
Claro que na verdade, ocorre uma questão cultural, brasileiro “sem generalizar” gosta de dinheiro fácil e sem esforço, e algumas pessoas com deficiência agirão da mesma forma, pois caráter independe de posição social, escolaridade, se PcD ou não. Vide a corrupção que impera em nosso país em todas as esferas.
Algumas pessoas com deficiência poderiam sim, estar no mercado de trabalho, mas, por motivos já declarados, não o farão. Mas eu acredito que estes, felizmente, não contam como maioria.
Então é isso gente!
Bjs! E até a próxima postagem!


Fontes:
http://www.darlanferreira.com.br/2011/10/projeto-que-previa-pagamento-de-mais-de.html




quinta-feira, 21 de setembro de 2017

21 de Setembro - Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência

OI....estava sumida, mas foi puramente por falta de tempo!


Hoje 21 de setembro comemora-se o dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência.  Essa data foi oficializada em 2005 pela Lei Nº 11.133, entretanto, já era comemorada desde o ano de 1982.
De acordo com a Declaração Universal da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, a definição para a PcD é a seguinte:
“pessoa com deficiência é aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.”
O Brasil é um dos países com maior concentração de pessoas com deficiência do mundo, ultrapassando a marca de 46 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, ou seja, mais de 24% da população.
A Lei de Cotas de 1991 tem 26 anos de existência, ela visa a garantia da inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. Porém, de acordo com os dados do CAGED 2017, o estado do Rio de Janeiro possui 2.929 empresas que se enquadram no perfil de porcentagem (nº de funcionários a partir 100) que tem obrigatoriamente que contratar um número determinado pela referida lei de pessoas com deficiência para seu quadro de funcionários. Ainda de acordo com o CAGED apenas 33,92% da Cota é preenchida, restando em aberto 66,07%, que traduzido em números reais, soma-se o total de 56.198 Cotas em aberto.
Ainda tratando de números, no Estado do Rio de janeiro somos 4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência.
Visando mediar a questão da PcD e as empresas, o Ministério do Trabalho promove anualmente uma Feira de Empregabilidade denominada DIA D, o evento conta com a participação de diversas empresas que ofertam suas vagas, visando a captação de pessoas com deficiência para seus respectivos quadros de funcionários.
Muitas vagas são realmente ofertadas, mas cabe salientar que, a maioria delas tem perfil operacional, vagas administrativas são mais difíceis de serem ofertadas em eventos para o público com deficiência. Apesar de termos a questão da escolaridade, ou baixa escolaridade, que envolve um grande número de pessoas com deficiência, o que justificaria a oferta dessas operacionais, é notório que ainda existe muito mais preconceito com relação a capacidade laborativa da PcD para realização de tarefas complexas, do que o respeito por seu perfil profissional.
De acordo com o CENSO 2010, 7% da população PcD possui o Ensino Superior Completo, e muitos destes estão em busca de uma oportunidade DIGNA de trabalho, onde venha a ser contratada para exercer funções de acordo com seu perfil profissional.
Mas a inclusão da PcD no mercado de trabalho começa na verdade, na infância, quando lhe é garantido o direito à educação, conforme descrito na nossa Constituição Federal, que diz que, TODOS tem direito à educação. Mas infelizmente, o acesso muitas vezes é negado à criança com deficiência, pois, em grande parte a arquitetura da escola não é acessível, os profissionais da área de educação não são, ou não estão capacitados a trabalhar com a criança com deficiência, não tem material didático em BRAILLE, por exemplo, para a alfabetização da criança cega, intérprete de LIBRAS para as crianças surdas, enfim, obstáculos não faltam para que a PcD se qualifique profissionalmente para o mercado de trabalho.
Explorando um pouco mais a vida da PcD em sociedade, é possível notar que ela também é impedida de circular por suas cidades livremente, tendo em vista a precariedade dos transportes públicos, calçadas em péssimo estado de conservação, falta sinalização adequada. Bares e restaurantes nem sempre possuem acessibilidade, alguns cinemas o local reservado para o cadeirante é praticamente debaixo da tela, obrigando-o a ficar com o pescoço flexionado para trás, olhando para cima, se quiser assistir a um filme. As igrejas também estão muito distantes de serem locais acessíveis em todos os seus aspectos, falta estrutura física, falta intérprete de LIBRAS para traduzir toda a liturgia dos cultos, literatura em BRAILLE.  Ir à praia também é algo para poucos, pois somente algumas praias em todo o Brasil, dispõem de algum projeto que vise a acessibilidade de pessoas com deficiência.
É verdade que já tivemos algumas conquistas nessa trajetória de Luta da PcD por cidadania, mas ainda temos muito a conquistar. Temos muito ainda a mostrar à sociedade sobre nossa competência, nossos talentos, mas sobre tudo, temos muito a mostrar sobre nossa HUMANIDADE.  Não somos dignos de pena, não merecemos migalhas, nem buscamos favores. Lutamos por nosso espaço, lutamos diariamente para sermos respeitados.
Fico feliz ao lembrar que esta luta começou com meus pares, em uma época, que pessoa com deficiência nem mesmo tinha voz, que independente do tipo de deficiência éramos TODOS indiscriminadamente tratados como incapazes.
Alguém começou a luta lá atrás e cabe a nós continua-la, independente se você possui ou não algum tipo de deficiência!
Enquanto acessibilidade plena não chega, vamos fazendo nossa parte, insistindo em resistir à uma sociedade preconceituosa, displicente, inadequada a seus cidadãos PcD. É vida que segue com seus altos e baixos!




“Bora” então ser feliz, “bora” levar informação a quem não tem.

Fazendo a minha parte SEMPRE!

Palestrando para Universitários

Palestrando em Empresa