Vê Legentil

terça-feira, 15 de maio de 2018

Homenagem à minha mãe


Olá....hoje minha postagem é em homenagem ao dia das mães...Ok, estou atrasada se considerar a data estabelecida para a comemoração desse dia especial, porém, quero aproveitar a deixa para falar para a minha mãe e para todas as mães que tem filhos com deficiência e tiveram que abrir mão de suas vidas, de seus objetivos algumas vezes, para que seus filhos tivessem a oportunidade de receber tratamento.
Como já contei em outras postagens, tive poliomielite aos 5 meses de nascida. E no mesmo dia que foi detectado o vírus, fui internada no Hospital Jesus, em Vila Isabel/RJ. Um hospital Infantil do município do Rio. E desde então minha mãe se desdobrava para que eu tivesse um tratamento adequado.
Após um período de internação, minha mãe me levava ao hospital praticamente a semana inteira para fazer massagem nas pernas, fisioterapia para que os membros inferiores não ficassem atrofiados. E quem conhece o hospital Jesus sabe que ele fica em uma ladeira, e após subir esta ladeira, ainda tinha uma escadaria para subir, já que na época o prédio não dispunha de elevadores. Ela saía de Niterói, e íamos de ônibus para meu tratamento. E além do tratamento ainda tinha as cirurgias, foram 4 no total, meses internada, e visitas da minha mãe TODOS dias até o dia de receber alta hospital. E quando eu estava em casa resguardando o período de recuperação pela cirurgia e com gesso até a cintura, minha mãe cuidava de mim com o maior zelo, com muito amor e dedicação. O gesso só era retirado depois de 3 a 4 meses de operada, e assim vinha a fase da fisioterapia, vivemos esta rotina até eu completar meus 18 anos. Quando a partir de então, comecei a ir às consultas médicas sozinha.
Já aprontei algumas com ela (minha mãe), certa vez, nas férias escolares fomos viajar para a casa de meus avós maternos no interior do estado do Espírito Santo, juntamente com minhas outras irmãs e sobrinhas. Criança sozinha é inofensiva, mas em bando pode causar estragos..rsrsrs!!! Pois bem, um dia brincávamos em “bando” dentro do tanque de lavar roupas, esbanjando água, fazendo a maior bagunça, e quando um adulto (não lembro quem) viu o que estávamos aprontando, correu em nossa direção para nos repreender, foi então que todos saíram correndo, cada um para um lado, foi um “salve-se quem puder”..rsrsrsrs!!! Euuuuuuuuuuu simplesmente abstrai da minha mente que não podia correr, e num ato sem pensar pulei do tanque também....conclusão: cai no chão, e com a queda acabei por cair em cima da perna tinha operado a pouco meses. Consequência? A perna inchou acabei com as férias de todo mundo, pois tivemos que voltar ao Rio para ir ao meu médico. O resultado? Tive que me internar novamente para refazer a cirurgia, que com a queda que tive acabou por romper algo dentro da perna, nessa época deveria ter uns 7 anos de idade. E mais uma vez tivemos nossa rotina de “visitas” ao hospital fortalecida!!!
Certa vez enquanto minha mãe estava trabalhando eu e minha irmã decidimos cortar o cabelo uma da outra, e em outra ocasião tivemos a brilhante ideia de cortar as correias do meu aparelho ortopédico (caríssimooooooooo)!!!! Claro que nossa mãe não gostou nenhum pouco dessas novidades ao chegar em casa!!!!
Cresci (senão em estatura, em idade...rsrsrs), estudei, me graduei, me especializei, tive muitas conquistas em minha vida, graças a Deus em primeiro lugar e a minha mãe que NUNCA desistiu de mim, de me oferecer a oportunidade de receber tratamento adequado, de se esforçar para que eu pudesse estudar e isso tudo enquanto também cuidava de uma de minhas irmãs que durante a infância (nossa idade difere pouco mais de 1 ano) teve um problema sério no ouvido e requeria tratamento médico especial.
Faça chuva ou faça sol, mãe é mãe! Mãe é mãe todos dias.
Hoje quem precisa de cuidados é ela que está com 80 anos. E dá um trabalhinho, viu!!rsrsrs!!! Hoje sou eu quem briga com ela, quem diz para não fazer isso ou aquilo! Reconheço que é preciso muuiiitaaaaaaaaa paciência, bem mais do que tenho, mas tenho me esforçado cada dia par ser mais paciente, pois se hoje sou quem sou e tenho o que tenho, é graças a ela!
Então é isso! Fica aqui minha homenagem à todas as mães dedicadas, amorosas que mesmo com suas limitações, se desdobram para trabalhar fora, cuidar da casa, cuidar dos filhos (educar)! 
E principalmente às mães de filhos que tem deficiência!


 
Minha mãe!



Hospital Municipal Jesus - Vila Isabel/RJ


quarta-feira, 11 de abril de 2018

Você conhece a LBI – Lei Brasileira de Inclusão (Estatuto da Pessoa com Deficiência)?


Discutida por pelo menos 15 anos, o projeto de lei foi criado pelo senador Paulo Paim, sancionada em julho de 2015 e entrou em vigor em janeiro de 2016.
O texto da lei tem como base a Convenção da ONU sobre os direitos da PcD, mas não somente isso, a lei visa tratar das carências existentes no Brasil com relação à sua população com deficiência. Ela foi criada com o intuito de promover e assegurar em condições de igualdade, o exercício do direito e das liberdades fundamentais da pessoa com deficiência, visando sua inclusão social e cidadania.
Algumas leis que já existiam passaram a fazer parte deste estatuto. Podemos dizer que tal estatuto é na verdade um compilado dessas leis. E aborda temas como:
·         Direito à vida;
·          Direito à habilitação e reabilitação;
·          Direito à saúde;
·          Direito à educação;
·          Direito à moradia;
·          Direito ao trabalho;
·          Direito à assistência social;
·          Direito à previdência social;
·          Direito à cultura, esporte, turismo e ao lazer;
·          Direito ao transporte e mobilidade.

De acordo com a Deputada Federal e também PcD Mara Gabriili (relatora da LBI), a Lei trás um uma nova perspectiva a respeito da pessoa com deficiência:
“Vale lembrar também que a principal inovação da LBI está na mudança do conceito de deficiência, que agora não é mais entendida como uma condição estática e biológica da pessoa, mas sim como o resultado da interação das barreiras impostas pelo meio com as limitações de natureza física, mental, intelectual e sensorial do indivíduo.”

Cabe ressaltar alguns avanços proporcionados pela LBI. Um ponto a ser destacado é no que diz respeito à educação. Escolas Regulares da Rede Pública e Privada são proibidas de apresentar recusa de matrícula à crianças e adolescentes com deficiência, bem como cobrar qualquer taxa adicional desses alunos. É importante salientar que tal recusa passou a configurar crime, podendo o infrator ser punido com multa e detenção. Ainda tratando da educação, o artigo 28 da LBI garante à PcD inclusão no Ensino Superior através de cota, obrigando assim o poder público a assumir sua responsabilidade garantindo o acesso desta parcela da população à educação profissional e tecnológica.
Sempre que possível vou falar sobre a PcD e o Mercado de trabalho, e o artigo 34 do Estatuto diz o seguinte: “A pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.” Isso é muito importante para a Pessoa com Deficiência, pois significa que não é a empresa que escolhe em que área a PcD vai atuar, na verdade, é afirmar que a pessoa com deficiência vai escolher onde quer trabalhar, de acordo com suas habilidades e qualificações profissionais.
É muito comum eu visualizar anúncios em redes sociais, internet de forma geral, algumas empresas anunciarem vagas para PcD da seguinte forma: “Oportunidade de Trabalho para Pessoas com Deficiência”. Não especificam a vaga, as exigências nada. Isso é muito ruim, pois a pessoa se desloca com dificuldade de casa, e quando chega no processo seletivo a vaga não tem nada a ver com aquele profissional, eu mesma já passei por isso. Além de falta de respeito, é nítido que tal empresa, não está preocupada em fazer inclusão, mas apenas cumprir a Lei de Cotas.
A Lei Brasileira de Inclusão trata ainda dos meios de comunicação para a comunidade surda. Tratando da questão da questão da acessibilidade na distribuição e exibição cinematográfica. E ainda diz que os portais e sítios eletrônicos da administração pública devem ser acessíveis a este público.
Eu poderia escrever um texto quilométrico sobre a LBI, porém, o objetivo não é tornar a leitura do artigo cansativa, mas sim, poder compartilhar com vocês um pouquinho mais de informação e peço sua ajuda  para divulgar em suas redes sociais, pois sempre tem alguém precisando, carente de conhecimento. Pois embora a Lei exista, nem todos tem acesso a ela.
Para que vocês possam conhecer melhor a lei aqui tratada, abaixo inseri um link para acesso:




sexta-feira, 6 de abril de 2018

Os Invisíveis



Outro dia vi um post no facebook, onde era representada a seguinte cena: diversas pessoas em um transporte coletivo. Várias delas estavam sentadas, em pé uma grávida, um idoso e uma pessoa com deficiência. Os que estavam sentados dormiam.
Achei a postagem muito interessante, ela me fez pensar em como as pessoas são tomadas repentinamente de um sono profundo tão logo entre no coletivo alguém que se enquadre nas características mencionadas no parágrafo anterior.
É no mínimo curioso a atitude de algumas pessoas, agem como se fôssemos invisíveis, ou ainda que não precisássemos nos sentar.
Minha vida é recheada de histórias envolvendo meu grande poder da invisibilidade. Vou dividir com vocês, uma delas. Certa feita quando eu voltava do trabalho, depois de aguardar 40 minutos no ponto pelo ônibus. Sim, 40 minutos, pois uns motoristas passaram por fora do ponto com os ônibus, outros, a plataforma elevatória “não funcionava”, ora estava tão cheio que se uma pessoa respirasse mais profundo, o passageiro ao lado morria por falta de ar!
Pois bem, eis que finalmente um ônibus para no ponto, estava cheio, mas dava para entrar. NINGUÉM absolutamente NINGUÉM moveu um músculo se quer do corpo para ceder o lugar para que eu pudesse sentar. Parei nos degraus e contemplei aquela cena: TODOS dormiam, coisa linda de se vê, não fosse a situação caótica do egoísmo! Já estava chateada, com as pernas e braços doendo por ter ficado tanto tempo em pé no ponto aguardando o ônibus. Não me contive e perguntei com um tom de voz elevado para que os sonecas de plantão pudessem ouvir: “ALGUÉM PODE CEDER O LUGAR PARA EU ME SENTAR?” "Cri...cri...cri” Perguntei a segunda vez com a voz mais firme, foi então que uma pessoa olhou para mim e disse: “Eu não vou te dar lugar, pois trabalhei o dia inteiro e estou cansada”. Olhei para aquele ser disfarçado de humano de um jeito que se eu tivesse os olhos do Ciclope, eu teria um lugar para sentar imediatamente! Mas como não tenho, o jeito foi argumentar. Eu então respondi à ela: “Pois é, eu também trabalhei o dia inteiro, fiquei 40 minutos em pé no ponto aguardando o ônibus E ainda tenho uma deficiência física, caso não tenha dado para perceber, e preciso deste lugar, mais que você”. E fui logo decretando: “Ô motorista enquanto eu não me sentar o senhor não vai sair com este ônibus, pois caso aconteça algum acidente comigo, o senhor será responsabilizado. Se tivermos que aguardar 30 minutos para alguém me dar o lugar, vamos aguardar aqui óh paradinhos.”
Mexi com todos neste momento né. O povo estava cansado, queria chegar em casa, assim como eu. E MILAGROSAMENTE, a maioria despertou de seu sono embelezador e pude até escolher onde me sentar.
Por que algumas pessoas não agem, só reagem?
Que sociedade doente é esta que a gente está vivendo? em que as pessoas só pensam em si próprias? Onde a EMPATIA está cada vez mais sumida.
Se colocar no lugar do outro? Quem tem tempo? Para quê fazer isso?
Gosto de observar a reação de algumas pessoas quando na tv por exemplo, conta alguma história de superação de uma pessoa com deficiência, vencendo suas limitações, os obstáculos que a sociedade excludente impõe. Fico tocada ao ver as lágrimas nos olhos de quem assiste, tão compadecida daquela PcD. Porém, se encontrar aquela pessoa com deficiência na rua, no transporte coletivo, por exemplo, e precisar sair de sua zona de conforto, ahhh aí a compaixão não é mais a mesma! Neste momento aquele ser humano tão fantástico, tão capaz de superar os problemas da vida, torna-se invisível. Ninguém mais a vê, ninguém mais a admira como na tv.

Pessoas queridas, peço a ajuda de vocês para informar aos demais que não, não temos o poder da invisibilidade, e sim, precisamos que nos respeitem e nossos direitos. Não se omitam diante de uma situação assim, não protagonizem cenas como esta que relatei.
Passar por questões assim esporadicamente, a gente releva com mais facilidade. Agora viver isso quase diariamente é muito difícil, isso mexe com o psicológico, inibe reações, pode causar isolamento da pessoa com deficiência, do idoso, que deixam de viver suas vidas porque estão cansadas de ter que “brigar” diariamente por direitos tão básicos.
Respeite o próximo, por você, por ele e por uma sociedade mais justa, menos egoísta. Que a empatia seja nossa companheira de cada dia.

Bjs!!!!